ARTIGOS

Como escolher uma profissão neste conturbado momento social/ político/ econômico brasileiro?

 

Elaboração: Maria Vilma Freire

De fato, se nos colocarmos no lugar do jovem, hoje, vivenciando uma realidade repleta de tantas desilusões, decepções e desesperança, presenciando a família e a sociedade manifestarem indignação com as atitudes antiéticas e muitas vezes até ilícitas de profissionais de diversas áreas de trabalho, podemos compreender as reações de insegurança, apatia, medo e adiamento da decisão relativa à escolha de seu projeto de vida futuro. Some-se a isso o desgastante processo de seleção de nossos vestibulares e a falta de vagas, que muitas vezes impede o jovem de optar pela profissão para a qual tem vocação. Há, ainda, a ansiedade da família pela aprovação do filho no vestibular, acrescida pela recorrente dúvida: se o colégio onde vem cursando o Ensino Médio o está preparando devidamente, muitas vezes gerando a busca pelos cursinhos ou por outra escola “mais forte”. Nesse sentido, acreditamos que há uma propensão a se atribuir aos fatores externos mais "responsabilidade" do que ao próprio estudante. Entretanto, é ele que, com o seu estudo individual e com o seu empenho diário vai conquistar um lugar na difícil disputa. No desempenho de nossa profissão na área de Orientação Profissional, percebemos que o adolescente procura ajuda por três motivos principais:

1. não saber como decidir, frente às inúmeras opções profissionais à escolha;

2. por não ter sido aprovado no vestibular, o que aumenta a sua insegurança;

3. desistência do curso escolhido, com conseqüente saída da universidade e a necessidade de escolher outra profissão.

Não obstante, todos têm a mesma preocupação: "será que conseguirei um emprego bem remunerado, projeção social, facilidade no mercado de trabalho?” A dura verdade é que as certezas vão ficando cada vez mais raras devido ao desemprego sempre presente no país e às mudanças muito rápidas no mundo. Assim, as dúvidas e os questionamentos vão tomando conta do jovem, ainda imaturo para decidir sobre seu projeto de vida. Alguns fazem a opção de escolher a carreira do pai ou da mãe, principalmente quando estes são bem sucedidos, por achar que terão o futuro garantido e um caminho profissional mais fácil. Sempre dizemos que se eles têm a mesma vocação dos pais, o mesmo interesse e aptidão, por que não seguir? Mas precisam saber que, proporcionalmente ao grau de realização do pai ou da mãe, terão a responsabilidade inerente ao nome profissional paterno ou materno e sentir-se-ão obrigados a fazer jus a esse nome. E se não têm essa vocação e estão optando por seguir aquela carreira só pela facilidade, a frustração, a decepção e o insucesso provavelmente virão. Os pais têm um papel fundamental na escolha, dialogando sobre sua própria experiência de vida e sobre a história profissional das famílias de origem. Mas é necessário permitir e incentivar o filho a escolher de forma autônoma, sem decidir por ele ou pressioná-lo para que siga esta ou aquela profissão. Muitas vezes, também, os preconceitos em relação a determinadas profissões, exteriorizados ou apenas demonstrados inadvertidamente diante do filho, virão a influenciar e a dificultar sua decisão. A questão fundamental na escolha da profissão é a busca do que realmente você gosta de fazer, dos seus interesses e desejos. Se a pessoa consegue escolher uma profissão que lhe dê prazer e realização, é o primeiro passo para o sucesso. Os outros são o empenho, o estudo, os relacionamentos sociais e o objetivo de ser um dos melhores, trazendo uma contribuição social diferente dos demais, algo significativo para a sociedade, que ninguém havia apresentado antes. O nosso trabalho de Orientação Profissional compreende três etapas: 1. autoconhecimento: mergulho dentro de si mesmo, explorando características de personalidade, interesses, aptidões e valores, por intermédio de jogos, testes vocacionais dinâmicos, psicodrama, exercícios vivenciais e muito diálogo; 2. exploração do mercado de trabalho: conhecimento das inúmeras profissões, universidades e discussões sobre os diferentes tipos de trabalho no mundo atual; 3. “o que desejo e posso?”: este é o momento de decidir com autonomia o seu projeto de vida, que deve incluir a profissão, o ”hobby” e o lazer. Se a pessoa tem muitos interesses e aptidões, deve distribuí-los por estes três eixos. Sempre acreditando que a decisão é sua e não é para a vida toda, mas para seu momento atual e que mais tarde pode tomar outro rumo, tornando sua existência criativa, dinâmica, prazerosa e feliz. Acreditamos que o Orientador Profissional deve estimular nos jovens a Fé em si próprios, no seu País, na carreira que escolheram e a terem consciência de que o Brasil está precisando com urgência de novos profissionais com características importantes: éticos, sérios, competentes, honestos, comprometidos, líderes positivos para conduzir esta nação por melhores caminhos. Esta é a grande motivação que o nosso jovem precisa ter para decidir logo e começar seu caminho em busca do sucesso profissional, levando-o à realização pessoal, social e a alcançar assim a sua FELICIDADE, objetivo maior de nossa existência.

 

A escolha de uma profissão

 

Elaboração: Maria Vilma Freire, Marcia Cosentino

Será que todos nós nascemos com uma vocação definida para um trabalho ou atividade específica? Será que herdamos os interesses de nossos familiares? Será que a convivência influencia nossa decisão? Será que essa escolha é para toda vida? Esses são alguns questionamentos que nos fazemos quando pensamos em Orientação Profissional. Antigamente as pessoas acreditavam que o indivíduo nascia predestinado a alguma atividade em sua vida, ela era inerente ao ser, só faltava descobrir qual era; assim estaria resolvido o problema profissional. Hoje, com a complexidade da vida pós-moderna, num momento histórico social afeito a mudanças bruscas, inerentes a um mundo globalizado, é quase impossível ter uma atividade permanente. Na realidade, a vocação é um conjunto de características pessoais e tendências que o indivíduo vai desenvolvendo ao longo da existência, influenciado pelo seu meio familiar e social. A vocação vai se construindo, e o sujeito, atento aos apelos do mercado, se aperfeiçoa e agrega conhecimentos novos que o levam sempre a um patamar profissional superior. Isso pode ser feito através de um novo curso de graduação, um MBA, uma pós-graduação, etc. O processo profissional é hoje aberto, indefinido e circunstancial. Isso se deve a ampliação do conhecimento científico e tecnológico, que nos leva a sair de um pensamento singular para um pensamento plural e repleto de opções. Considerando que a influência da família é significativa, as opções são múltiplas e o mercado está cada vez mais competitivo, se faz necessário o jovem procurar a Orientação Profissional especializada, antes de decidir por um caminho. Pensa-se também que ao longo da vida, outras escolhas podem ser efetivadas, de acordo com o interesse do profissional. Nada é definitivo no campo do trabalho. Hoje, mais do que nunca, a felicidade pessoal está ligada a sonhos e desejos que transformamos em realidade. Não adianta corrermos atrás de situações mercadológicas, boas na questão financeira, e sacrificar nossa felicidade, pois isso trará, a longo prazo, uma frustração que para muitos se torna irremediável. Vamos sempre em busca de nossos sonhos possíveis de realizar!

Reorientação Profissional: o adulto e o momento da nova escolha

 

Elaboração: Maria Vilma Freire, Marcia Cosentino

A reorientação profissional tornou-se a partir da década de 90 uma atividade muito solicitada nos consultórios de orientadores profissionais. Cada vez mais as pessoas buscam aliar prazer com trabalho. Antes era valorizado o profissional altamente especializado em determinado assunto, o especialista. Hoje, no mundo globalizado, há necessidade de profissionais flexíveis, com várias formações e experiências anteriores e novas escolhas de acordo com cada etapa de vida. Há momentos marcantes na vida de um adulto: recasamento, viuvez, separação, desemprego, aposentadoria e outros. A mudança de projeto de vida muitas vezes é necessária, onde a escolha de um novo trabalho, de uma nova profissão precisa acontecer. Uma pesquisa feita pelo HLCA Human Learning mostra que 90% das pessoas não conseguem identificar em si mesmas quais são seus verdadeiros talentos e 60% não aplicam seus potenciais nas funções que exercem. A maioria dos profissionais felizes com suas atividades tiveram sorte de ter feito a opção certa. Outras tentaram ingressar em diversas áreas diferentes até encontrar a ideal. Acreditamos que a maior ferramenta para o sucesso profissional é canalizar esforços naquilo que a pessoa faz bem: seu talento. O ideal é descobri-lo e saber usá-lo: será que seu talento é liderar? É criativo? Tem espírito empreendedor? Gosta de se relacionar com grupos? Hoje há necessidade do profissional saber onde ele se encaixa melhor, onde pode render mais e em consequência ficar mais satisfeito no trabalho. A HLCA tem outro estudo com 10 mil profissionais de empresas de médio e grande porte de todo o Brasil, onde 78% responderam que não estão felizes. Somente 18% afirmaram que estão e 4% não souberam responder. Para Jorge Matos, coordenador do estudo e diretor da HLCA a razão está na escolha da carreira. Ele acha que a formação só leva em conta o eixo do conhecimento em detrimento da dimensão do comportamento. Que tipos de conhecimentos são importantes para pessoas que se comportam dessa e daquela maneira? Falta uma auto-investigação com a ajuda de profissional da área. Dentro da reorientação profissional que realizamos, o trabalho deve ser voltado para a pessoa descobrir, no momento presente, através do autoconhecimento, qual o seu talento nato e o que desenvolveu ao longo de sua experiência profissional. Utilizando o seu passado e se voltando para o futuro com êxito, o indivíduo vai ser valorizado por sua bagagem vivencial no mercado de trabalho atual.

 

Adolescência e a passagem para a adultez

 

Elaboração: Márcia Cosentino

Conceituação:(do latim adolescentia)

1- O período da vida humana entre a puberdade e a virilidade (dos 14 aos 25 anos)

2- psicol. Período que se estende da terceira infância até a idade adulta, caracterizado psicologicamente por intensos processos conflituosos e persistentes esforços de auto-afirmação. Corresponde à fase de absorção dos valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social.Uma das condições para a entrada no pensamento formal é o desenvolvimento do pensamento introspectivo que permite a tomada de consciência do processo do pensamento e a criação de uma identidade. O adolescente precisa se refugiar em seu mundo interno e passar da lógica concreta para a abstrata. Existem algumas dificuldades para essa tomada de consciência de si. Essas barreiras que se levantam contra o desenvolvimento da subjetividade residem na cultura, no próprio indivíduo e em sua formação familiar. Vemos que a escola desenvolve muito o lado intelectual (hemisfério esquerdo do cérebro) do ser, em detrimento de um mergulho aos seus sentimentos e pensamentos mais íntimos. Se o jovem fosse mais levado ao pensamento reflexivo sobre ele e suas emoções, passaria pela adolescência mais equilibradamente, desenvolvendo seu hemisfério direito e amadurecendo mais cedo. A partir do referencial cronológico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como o período da vida que vai precisamente dos 10 anos até os 19 anos e 11 meses e 29 dias. Nessa fase ocorrem pelo menos três fenômenos importantes do desenvolvimento humano do ponto de vista biológico, a puberdade, com o amadurecimento sexual e reprodutor; do ponto de vista social a passagem da infância para a vida adulta, com a assunção de papéis adultos e a autonomia em relação aos pais e, do ponto de vista psicológico, a estruturação de uma identidade definitiva para a subjetividade. Um dos fenômenos mais interessantes do século XX é que, determinada por transformações sociais, psicológicas, culturais e biológicas vem ocorrendo uma antecipação do começo da puberdade. A menarca, como se define menstruação, no início do século XX surgia por volta dos 15 anos. Atualmente acontece em média aos 12.

Fatores que influem:

aumento do peso corporal, se deu por melhores condições de saúde e alimentação maior apelo para o amadurecimento sexual, determinado pelo imaginário veiculado nos meios de comunicação

 

Dispositivo biológico na adolescência

A puberdade está relacionada ao crescimento físico e a maturação sexual. A reativação da função gonodal na puberdade é denominada gonadarca, manifestando-se com o aumento da secreção de estrógeno pelo ovário, e da testosterona pelos testículos. A idade normal para o início desse processo é de 8 a 13 anos, no sexo feminino, e de 9 a 14 anos, no masculino. Os sinais físicos sexuais desenvolvem-se de forma progressiva; há aumento de massa corporal e da velocidade de crescimento cujo ápice é o estirão pubertário (nos meninos entre 10,5 e 16 anos e nas meninas entre 9,5 e 14 anos); que termina com a calcificação da placa de crescimento sob a influência dos hormônios sexuais; e com a aquisição da função reprodutora. É durante a puberdade que o ser humano apresenta o maior ritmo de massa esquelética, determinada pelo crescimento ósseo linear e pelo aumento das massas muscular e adiposa sob a influência da ação combinada de diversos hormônios; como os esteróides gonodais (estrógeno, progesterona e testosterona), o hormônio do crescimento (GH) e os hormônios da tireóide. Os púberes adquirem de vinte a vinte cinco por cento da estatura e cinqüenta por cento da massa corporal definitivas. A aceleração do crescimento das extremidades do corpo antecede a do tronco e traz certa desarmonia nas proporções corpóreas, o que configura o aspecto desajeitado, típico do adolescente. Em ambos os sexos ocorrem alargamento dos ombros, com maior intensidade no sexo masculino, por ação da testosterona; e do quadril nas mulheres, por ação do estrógeno.

 

Adolescente X Adulto

O jovem deveria tomar conhecimento, através de seu próprio currículo escolar, de todas as mudanças que ocorrem em seu corpo, no seu desenvolvimento cognitivo e psicológico. O ideal é que, num trabalho integrado, professores, orientador educacional, psicólogo, pais, etc. estivessem comprometidos a dar ao adolescente um suporte existencial de mais consistência, para vê-lo integrado ao final do processo. Infelizmente não é isso que acontece na maioria das instituições; o adolescente reage à intolerância do mundo adulto em relação a ele. Se todos que convivem com seres dessa faixa de idade lembrassem de sua própria experiência naquele momento não estigmatizariam a adolescência definindo-a por exemplo como aborrecência. Todo jovem que é rotulado de aborrecente deve pensar: É isso que esperam de mim? Isso eles terão... Essa passagem para a adultez implica numa responsabilidade por um projeto de futuro. Muitos não estão preparados para assumir uma escolha profissional, fazer sexo seguro e ter independência no ir e vir, três aspectos preocupantes para a maioria dos responsáveis. O mundo dos mais velhos não aceita as flutuações de humor adolescente sem reagir, já que reedita neles as próprias ansiedades básicas que tenham sido controladas até certo ponto. Em virtude da crise essencial dessa fase, essa idade é mais apta para sofrer os impactos de uma realidade frustrante, pois o adolescente apresenta uma vulnerabilidade especial para assimilar os impactos projetivos de pais, irmãos, amigos e de toda sociedade, ou seja, é um receptáculo propício para encarregar-se dos conflitos dos outros e assumir os aspectos mais doentios do meio em que vive. Atualmente presenciamos exatamente isso em nossa sociedade, que projeta suas próprias falhas, nos assim chamados excessos da juventude, responsabilizando-os pela delinqüência, pela aderência as drogas, gravidez precoce, promiscuidade sexual, etc.A severidade e a violência com que, às vezes, se pretende reprimir os jovens, só cria um distanciamento maior e uma agravação nos conflitos, com o desenvolvimento de personalidades e grupos sociais cada vez mais anormais, que em última instância implicam numa auto destruição suicida da sociedade.

 

Desenvolvimento cognitivo

Período de operações formais – Egocentrismo

O último estágio de desenvolvimento da inteligência é período das operações formais. De acordo com Piaget, esta nova unidade de conduta se inicia por volta dos 11-12 anos e representa a última aquisição mental, quando o adolescente se liberta do concreto e é capaz de dada uma certa realidade, aplicar a ela um conjunto de transformações possíveis. Nessa visão, a transição de um período para outro sucessivamente provoca um desequilíbrio temporário que, posteriormente, dá lugar a uma forma superior de raciocínio. O adolescente tem a capacidade agora de realizar operações lógicas ao nível das idéias, desvinculando-se do palpável e do concreto. A realidade de um certo evento passa a ser secundária. Ele é capaz de pensar em alternativas de ação, substituindo eventos concretos por proposições. Agora confrontado com um problema, levanta todas as hipóteses possíveis e a partir delas, deduz conclusões. O pensamento, no período formal é hipotético dedutivo. Piaget acredita que os conflitos, dúvidas e atitudes imprevisíveis nessa faixa de idade, não podem ser vistos isoladamente; são parte de um sistema mais amplo diretamente vinculado à emergência do pensamento lógico. Piaget diz em sua teoria que a aquisição de uma nova habilidade mental, como as operações formais, provoca no adolescente, um período de desequilíbrio, em que o mundo é captado pelo sujeito primordialmente através da assimilação egocêntrica. Esse egocentrismo se manifesta por uma crença ilimitada na capacidade de reflexão de atuar como instrumento de transformação da realidade. Surge a preocupação com a política, filosofia e com questões existenciais de cunho metafísico. A sociedade que o cerca parece-lhe desprezível, injusta. Todo o seu ser está voltado para a sociedade, mas para aquela que ele sonha que um dia venha a existir. Aos poucos havendo interação com seus pares, comparando projetos de vida, necessitando trabalhar na reformulação do mundo, o adolescente sai de si mesmo e se volta para o outro. Todos esses aspectos do Egocentrismo no adolescente vão desaparecendo à medida que a assimilação egocêntrica dá lugar à acomodação: o pensamento formal, aos poucos, harmoniza-se com a realidade. Nas palavras de Piaget: o equilíbrio é obtido quando o adolescente entende que a principal função da reflexão, não é contradizer, mas sim prever e interpretar a experiência. Este equilíbrio formal supera marcantemente o equilíbrio do pensamento concreto porque não abrange somente o mundo real, mas também as construções indefinidas da dedução racional e da vida interior. Aos poucos, ele consegue adequar seu projeto de vida às possibilidades reais de realizá-lo.

 

O MOMENTO PROFISSIONAL - Vestibular - Rito de passagem

Em nossa cultura o vestibular funciona como rito de passagem para a vida adultapromovendo um angustiante encontro com o real. Para entrar no mundo adulto e modificá-lo, o adolescente precisa mostrar amadurecimento, escolher um curso e entrar para a universidade, geralmente isso se dá aos 17/18 anos. O jovem, em vias de criar sua identidade como Ser, tem que incorporar também uma identidade profissional.Essa precocidade para resolver algo tão importante para a sua vida, muitas vezes atrapalha a escolha, e ele escolhe errado. Quando se descobre desestimulado, acolhe o desafio de trocar de curso o mais rápido possível, descarta a escolha anterior e parte para outra opção numa proposta que, às vezes, o decepciona mais uma vez. Qual o papel da instituição para facilitar essa tomada de decisão? O que facilitaria a vida do adolescente nesse momento tão importante? No entender dos estudiosos da Orientação Profissional, a escola deveria começar a tratar do processo de elaboração de uma profissão bem mais cedo, realizando um trabalho que está baseado em três momentos: O primeiro seria o autoconhecimento, um mergulho dentro de si mesmo, explorando características de personalidade, interesses, aptidões e valores, por meio de jogos, testes de habilidades vocacionais (realizados de uma forma dinâmica), exercícios vivenciais e muito diálogo.O segundo seria a exploração do mercado de trabalho, conhecimento das ofertas do mundo do trabalho, das propostas das universidades, além de discussões sobre os diferentes tipos de trabalho na atualidade.O terceiro é ajudar o jovem a criar para ele um projeto de futuro que contemple uma visão profissional ao final de quatro ou cinco anos, pois sabemos que para o adolescente: o futuro é hoje.A partir da última série da primeira fase, já se começaria um trabalho com essa finalidade pelas equipes pedagógica e psicológica da instituição. Nos dois primeiros anos do Ensino Médio esse trabalho se intensificaria para que no início do último ano, no momento do temido vestibular, esse adolescente já estivesse direcionado para uma profissão. As vantagens desse trabalho podem ser enumeradas:

1) Uma motivação maior para o estudo num momento tão difícil como este.

2) Mais segurança na determinação de seus objetivos.

3) Aprovação nos concursos escolhidos.

4) Permanência no curso e na universidade.

5) Reconhecimento da família.

6) Satisfação da escola.

Infelizmente isso na maioria das vezes não acontece. A autora Dulce Soares faz uma crítica às escolas de que elas não têm estimulado o processo de autoconhecimento, interiorização e reflexão pessoal de seus alunos. Em sala de aula não se discute questões como: quem sou eu?, o que quero?, do que eu gosto?, porque gosto?, como me sinto realizando isto ou aquilo? Esse trabalho sendo feito cedo ajudaria o púbere no seu processo de subjetivação, pois aprofundaria o conhecimento de suas habilidades. Seus conhecimentos no mercado de trabalho e seu projeto de futuro estariam mais delineados, assim como o momento da escolha se tornaria mais fácil dentro da instituição escolar.

 

Desenvolvimento psicológico

Anna Freud diz que é muito difícil assinalar o limite entre o normal e o patológico na adolescência. Ela considera, na realidade, toda comoção desse período como normal, assinalando que seria anormal a presença de um equilíbrio estável durante o processo adolescente. Sobre esta base, e levando em consideração o critério evolutivo da psicologia, é que devemos aceitar que a adolescência, mais do que uma etapa estabilizada é um processo em desenvolvimento. Arminda Abelastury e Maurício Knobel, psicanalistas argentinos, denominam as instabilidades e desequilíbrios pelos quais passam o adolescente de uma entidade semipatológica que denominam de síndrome normal da adolescência, que é perturbadora para o mundo adulto, mas que é absolutamente necessária para ele, que ao longo desse processo, vai desenvolver sua identidade, sendo esse o objetivo fundamental desse momento de vida. Enfrentar o mundo adulto, para o qual não está preparado, e desprender-se de seu mundo infantil, no qual está comodamente estabelecido, não é tarefa fácil. Segundo esse referencial teórico, nesse processo o adolescente realiza três lutos fundamentais:

a) o luto pelo corpo infantil perdido, base biológica da adolescência, que se impõe ao indivíduo. Muitas vezes se sente um espectador impotente do que ocorre no seu próprio organismo.

b) o luto pelo papel e a identidade infantis, que o obriga a uma renúncia da dependência e a uma aceitação de responsabilidades que muitas vezes desconhece e receia ter que assumir.

c) o luto pelos pais da infância, os quais persistentemente tenta reter na sua personalidade, procurando o refúgio e a proteção que eles significam, situação que se complica pela própria atitude dos pais, que têm que aceitar o seu envelhecimento e o fato de que seus filhos não são mais crianças.

 

A síndrome normal da adolescência é exatamente o conjunto sintomático presente a todo processo juvenil; dos quais podemos destacar:

1) busca de si mesmo e da identidade;

2) tendência a agrupar-se;

3) necessidade de intelectualizar e fantasiar;

4) crise religiosa, podendo ir do ateísmo ao misticismo fervoroso;

5) desorientação temporal, o pensamento adquire características do pensamento primário;

6) manifestação de evolução sexual que irá do auto-erotismo até a heterossexualidade genital adulta;

7) atitude anti-social e associal de diferentes intensidades;

8) contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta dominada pela ação e que se constituem numa forma de expressão;

9) separação progressiva dos pais;

10) constantes flutuações do humor e do estado de ânimo.

 

Problemas que interferem na aprendizagem do adolescente - Patologias da adolescência

As patologias da adolescência estão todas relacionadas com a vulnerabilidade cerebral e psicológica do adolescente. Elas são da ordem da compulsão e merecem redobrada atenção da família. A escola hoje é um lugar onde se detectam e denunciam problemas com os jovens. Esses problemas antigamente não existiam e hoje atrapalham o desempenho escolar de muitos adolescentes. Claro que a vida das crianças de hoje não se parece em nada com a de 20 anos atrás. Hoje a maioria deles que estudam no turno da tarde, dormem pouco antes de meia-noite e acordam por volta das 10 horas da manhã. Aqueles que estudam no turno da manhã, ou faltam à escola porque não acordaram ou dormem na escola. Seus brinquedos preferidos hoje são o vídeo-game, a televisão e o computador. Sendo assim temos indivíduos com novos hábitos: gostam de ficar em casa, não querem fazer esporte, não querem sair de casa para não tirar o tempo da atividade que mais gostam, as atividades eletrônicas que propiciam ao sedentarismo. Infelizmente para alguns pais é melhor o adolescente ficar bem quieto em frente a algumas dessas atividades, do que ir para a rua fazer um programa diferente. Muitas patologias se desenvolveram ao longo desses anos e alguns problemas começam a atrapalhar as suas vidas. TDAH - transtorno de déficit de atenção com hiperatividade e o DDA - déficit de atenção. Aparecem cada vez mais na escola e algumas professoras já fazem o diagnóstico. O psiquiatra Rossano Cabral diz que crianças que eram chamadas de peraltas, desatentas e desorganizadas estão aos poucos sendo transferidas para a categoria de TDAH. A neuropediatra Laís Pires opina que a doença acomete cinco por cento da população, porém chama a atenção que o diagnóstico tem que ser bem feito por especialistas. Diz ela que é muito mais fácil rotular e dar remédio do que a família toda rever seu comportamento ou a escola avaliar as suas falhas, os professores perceberem que suas aulas são entediantes. Há um conflito entre crianças superestimuladas e a velha escola, com o tradicional quadro-negro e outros aparatos anacrônicos. No meio desses dois mundos, o professor, tentando manter a atenção dos muitos alunos, quase sempre sem sucesso. Se a maioria do grupo de alunos é desatenta e desconcentrada, está na hora da escola rever seus conceitos. Só assim esse diagnóstico cada vez mais popular vai diminuir.

 

Problemas que interferem na aprendizagem do adolescente - Patologias da adolescência

As patologias da adolescência estão todas relacionadas com a vulnerabilidade cerebral e psicológica do adolescente. Elas são da ordem da compulsão e merecem redobrada atenção da família. A escola hoje é um lugar onde se detectam e denunciam problemas com os jovens. Esses problemas antigamente não existiam e hoje atrapalham o desempenho escolar de muitos adolescentes. Claro que a vida das crianças de hoje não se parece em nada com a de 20 anos atrás. Hoje a maioria deles que estudam no turno da tarde, dormem pouco antes de meia-noite e acordam por volta das 10 horas da manhã. Aqueles que estudam no turno da manhã, ou faltam à escola porque não acordaram ou dormem na escola. Seus brinquedos preferidos hoje são o vídeo-game, a televisão e o computador. Sendo assim temos indivíduos com novos hábitos: gostam de ficar em casa, não querem fazer esporte, não querem sair de casa para não tirar o tempo da atividade que mais gostam, as atividades eletrônicas que propiciam ao sedentarismo. Infelizmente para alguns pais é melhor o adolescente ficar bem quieto em frente a algumas dessas atividades, do que ir para a rua fazer um programa diferente. Muitas patologias se desenvolveram ao longo desses anos e alguns problemas começam a atrapalhar as suas vidas. TDAH - transtorno de déficit de atenção com hiperatividade e o DDA - déficit de atenção. Aparecem cada vez mais na escola e algumas professoras já fazem o diagnóstico. O psiquiatra Rossano Cabral diz que crianças que eram chamadas de peraltas, desatentas e desorganizadas estão aos poucos sendo transferidas para a categoria de TDAH. A neuropediatra Laís Pires opina que a doença acomete cinco por cento da população, porém chama a atenção que o diagnóstico tem que ser bem feito por especialistas. Diz ela que é muito mais fácil rotular e dar remédio do que a família toda rever seu comportamento ou a escola avaliar as suas falhas, os professores perceberem que suas aulas são entediantes. Há um conflito entre crianças superestimuladas e a velha escola, com o tradicional quadro-negro e outros aparatos anacrônicos. No meio desses dois mundos, o professor, tentando manter a atenção dos muitos alunos, quase sempre sem sucesso. Se a maioria do grupo de alunos é desatenta e desconcentrada, está na hora da escola rever seus conceitos. Só assim esse diagnóstico cada vez mais popular vai diminuir.

 

Comportamento compulsivo

As compulsões, comportamentos compulsivos ou aditivos são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase sintomaticamente. São mal adaptativos porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental pleno, ao conforto físico e a adaptação social. Eles se caracterizam por serem repetitivos e por se apresentarem de forma freqüente e excessiva. A gratificação que se segue ao ato, seja ela de prazer ou de alívio do desprazer, reforça a pessoa a repeti-lo, mas com o tempo, depois desse alívio imediato, segue-se uma sensação negativa por não ter resistido ao impulso de realizá-lo. A complicação desse tipo de problema é classificada sob o título de TOC (transtornos do espectro obsessivo compulsivo), a pessoa acaba tornando-se dependente dessas atitudes, as quais ocupam um espaço importante no seu cotidiano. Em alguns casos ocorrem danos físicos, como por exemplo, na vigorexia, (exagero na malhação) a pessoa esgota sua musculatura. A repetição cria a dependência física e psicológica. A angústia provocada pela ausência causa sintoma de abstinência como suores, tremores, sudorese, taquicardia, etc.A compulsão é cada vez mais popularizada numa sociedade de excessos. O equilíbrio parece ser o desafio desse começo de século.

  • Obesidade - fatores genéticos, ambientais e emocionais determinam o grau de sobrepeso e obesidade.


  • Anorexia - (do grego an, deficiência/ausência, e órexis, apetite) – Doença psiquiátrica que acometem jovens do sexo feminino. Relatada em 1694. Caracteriza-se por perda de peso intensa. Dietas restritivas e o medo mórbido de engordar contribuem para o crescente número de casos de anorexia. Essas pessoas têm uma imagem distorcida do corpo, elas não se vêem magras, mas sempre gordas, e continuam a limitar suas refeições de maneira ritualística. Peso corporal anormal.


  • Bulimia – (do grego bou, grande quantidade, e limos, fome), por sua vez, foi relatada apenas em 1979. Distúrbio de comportamento caracterizado por episódios de alimentação excessiva, em geral seguidos de atitudes que pretendem anular a ameaça de aumento de peso, como indução de vômitos, abuso de laxantes ou diuréticos, jejum ou atividades físicas excessivas. O peso corporal costuma ser normal, a busca da magreza extrema não é tão intensa. A insatisfação com a imagem do corpo e a baixa auto-estima aumentam o risco de aparecimento das duas doenças. Essa situação constitui, hoje, uma epidemia silenciosa, razão pela qual talvez ainda não seja reconhecida pelas políticas governamentais no setor de saúde.
  • Há um alerta nas instituições escolares em relação a esses procedimentos, pois hoje em dia boa parte dos adolescentes faz uso regular de dietas.
  • Álcool e drogas - Diante da instabilidade e das mudanças características da adolescência, período de crise no qual está em jogo a reestruturação psíquica do indivíduo, deve-se compreender de que forma o uso de álcool e de drogas se insere na vida do adolescente e qual o seu significado adjacente. Em muitos casos, pode-se tratar de uma fase de experimentação, transitória, decorrente da curiosidade e da elaboração do processo de entrada no mundo adulto.


  • Internet - É uma janela para o cotidiano. Os blogs, como os diários, são relatos tcpessoais que não tem caráter de ficção e são regulados pelo calendário. Entre os adolescentes, namoros, paqueras, festas e viagens estão entre os temas principais. Buscam ainda por meio desse suporte narrativo um contato com o mundo revelado na reprodução de dizeres e frases sobre a vida e sobre os vínculos afetivos.


  • TV - A família cede lugar a outros mediadores sociais, dentre eles a televisão, um dos principais veículos de disseminação de formas de socialização e de valores entre crianças e jovens.


  • Vídeo-game - Cada vez mais sádicos, os jogos eletrônicos violentos fazem mal a crianças e adolescentes. A ciência adverte que eles banalizam a brutalidade, estimulam a indiferença pelos outro e viciam.


  • Violência – Bullyng (texto anexo)


  • Depressão


  • Suicídio - A atitude depressiva acompanhada por raiva, irritabilidade, medo, tendência ao isolamento, ser objeto de bullyng e mau desempenho escolar pode gerar idéias suicidas, sobretudo se o jovem faz uso de psicotrópicos ou passou por eventos estressantes recentes.Alguns estudiosos consideram os sintomas do adolescente como próprios da fase, ao invés de distúrbios de função já estabelecidos, mas enfatizam a importância de não incorrer na tendência errada de conclusões apressadas.A sintomatologia psicológica na adolescência não pode ser ignorada, pelo menos com relação à necessidade de se propiciar uma assistência psicológica, na expectativa de que o jovem se livrará dos sintomas com o tempo e ultrapassando esses momentos de turbulência.